Responsabilidade Social Corporativa

As empresas têm um papel na promoção de um desenvolvimento equitativo que vai além das suas práticas internas e de seus produtos disponíveis no mercado. Elas são agentes no desenvolvimento de comunidades de seu entorno geográfico e estratégico e, portanto, podem e devem agir de maneira proativa para promover a equidade e a justiça. 

A promoção de um desenvolvimento mais justo depende de um olhar amplo sobre a atividade econômica e processo de desenvolvimento, colocando as pessoas no centro das análises. A dimensão de cuidados e sua relação com a atividade produtiva, desenvolvimento local e cadeias de valor ainda não mereceu muita atenção dos projetos e programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), embora seja fundamental para a promoção da igualdade de gênero e para a melhora dos indicadores de desenvolvimento.

Se programas e projetos de RSC corporativa ainda não buscam atuar de forma deliberada para o reconhecimento e a redistribuição dos cuidados, isso não significa que não haja demanda para esse tipo de iniciativa. Para que isso aconteça, a centralidade dos cuidados precisa ser um objetivo da iniciativa desde a fase de desenho – sob risco da dimensão de cuidados ser ignorada, caso isso não aconteça. 

Alguns exemplos rápidos: projetos que tem por objetivo incentivar a inserção econômica de mulheres podem excluir as mulheres mais vulneráveis economicamente se não pensamos soluções para o cuidado de crianças pequenas. Ou ainda, sempre que equipamentos e políticas que garantam o cuidado de crianças não beneficiem também homens, há o risco de reforçar a carga de trabalho não remunerado das mulheres. Programas que apoiem comunidades na construção de infraestrutura podem ignorar a infraestrutura do cuidado, como creches, parques e centros de atividades, se não pensamos nos cuidados como centrais para a economia e para a vida. 

Para elaborar programas e projetos de RSC que contribuam para o desenvolvimento de comunidades nas quais as pessoas possam ser cuidadas, a participação das pessoas das comunidades é fundamental. É preciso escutar o que as comunidades – e em particular as mulheres – têem a dizer. É preciso elaborar diagnósticos que sejam capazes de embasar intervenções que tragam soluções para os problemas da comunidade, com a participação das famílias e apoio das empresas e outros parceiros. Para essas e outras demandas, as empresas podem contar com a Cuidemos.

Práticas, políticas e cultura organizacional para a promoção da equidade, diversidade e inclusão

Empresas e organizações podem desempenhar múltiplos papéis na promoção da diversidade, inclusão e equidade. Nesse post, vamos falar daquele que talvez seja o mais relevante: o papel das organizações e empresas como empregadoras. Dados da PNADc do 4o trimestre de 2020 mostram que 46,3% das pessoas ocupadas eram empregadas do setor privado e 14,1% no setor público. Dessa forma, podemos afirmar que a grande maioria da população do país seria afetada de maneira positiva caso as empresas e organizações colocassem a promoção da equidade em relação a suas práticas e políticas internas e cultura organizacionais entre suas prioridades de negócios. 

Práticas, políticas e cultura organizacionais se moldam mutuamente, reproduzindo desigualdades estruturais caso não sejam desenhadas com o objetivo explícito de garantir igualdade de oportunidade e tratamento. Em outras palavras: as desigualdades da sociedade – sejam elas desigualdade de gênero, raça, e discriminações em razão de sexualidade, identidade de gênero, idade, entre outras – são reproduzidas nos processos seletivos, nas promoções, nos orçamentos, e nos costumes e hábitos das empresas e organizações, a não ser que estas decidam avaliar e modificar suas práticas, políticas e cultura organizacional para promover a diversidade, inclusão e equidade. 

Podemos perceber de forma muito evidente como as empresas e organizações reproduzem as desigualdades da sociedade quando olhamos para a desvalorização do trabalho de cuidado e a posição das mulheres no mundo corporativo. A naturalização do trabalho de cuidado como feminino produz, ao mesmo tempo: a desvalorização da mulher profissional  (por possuir ou pela expectativa de que possuam características ou comportamentos que são associados à capacidade de cuidar do outro); a desvalorização de habilidades associadas ao cuidado; e a sobrecarga de trabalho não remunerado das mulheres.

As empresas e organizações reproduzem a desvalorização do trabalho de cuidado e a discriminação contra a mulher quando: definem que suas vagam devam ser preenchidas por pessoas que demonstrem características estereotipicamente masculinas; valorizam principalmente profissionais que trabalham como se não tivessem responsabilidades de cuidados; permitem que que a discricionariedade para processos e promoções sigam excluindo mulheres e pessoas negras, por exemplo; entre muitos outros exemplos.

A discriminação contra as mulheres resultante desse processo é patente: apenas 37,4% dos cargos de liderança no setor público e privado eram ocupados por mulheres em 2019; a taxa de participação das mulheres na força de trabalho era de 54,5% contra 73,7%; entre mulheres de 25 a 19 anos vivendo com crianças até 3 anos de idade, apenas 54,6% estavam ocupadas com trabalhos remunerados, enquanto 67,2% de mulheres na mesma faixa etária sem filhos tinham ocupação remunerada. 

As empresas e organizações que perpetuam essas desigualdades também são prejudicadas: perdem talentos e oportunidade de inovar, sofrem desgaste de imagem, são menos produtivas e se desconectam de suas comunidades, consumidores e colaboradores.

Agir para promover a equidade, diversidade e inclusão está ao alcance das empresas e organizações. É preciso comprometimento para avaliar práticas, políticas e cultura organizacional, disposição para construir um ambiente inclusivo e vontade de contribuir ativamente para a promoção da equidade. A partir de um diagnóstico de equidade, diversidade e inclusão, é possível desenhar planos de promoção da equidade, com metas e indicadores adequados, bem como preparar e implementar treinamentos que apoiem a liderança, gerentes e demais colaboradores para a promoção da equidade nas empresas e organizações. Para esses e outros desafios, as empresas e organizações podem contar com a Cuidemos.

Olá! Nós somos a Cuidemos!

Acreditamos que um olhar crítico e empático para o trabalho que sustenta a economia e a sociedade – o trabalho de cuidado – é o caminho para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Trabalhamos para apoiar empresas e organizações na elaboração, monitoramento e avaliação de políticas e ações de promoção da equidade e da diversidade, com foco nos cuidados.

E como fazemos isso?

– Apoiamos empresas e organizações no reconhecimento e compartilhamento dos cuidados.
– Apoiamos programas e projetos de responsabilidade social corporativa.
– Apoiamos a elaboração de políticas públicas de cuidado.
– Geramos conhecimento para construir uma sociedade que cuida.

Como isso tudo começou?

O ano de era 2020. 

Em 30 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto da doença causada pelo novo coronavírus – a COVID-19 – constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em 11 de março, considerando a rápida disseminação geográfica do coronavírus, o surto foi caracterizado pela OMS como uma pandemia.

Em 12 de março, ocorre no Brasil a primeira morte causada pela COVID-19. Rosana Urbano, de 57 anos, era diarista. Morava na Zona Leste de São Paulo, no Bairro Cidade Tiradentes, uma das regiões mais pobres da capital paulista. Era casada e tinha 3 filhos. Havia deixado de trabalhar há alguns anos para cuidar do filho com deficiência. A confirmação de Rosana como sendo a primeira vítima da COVID-19 no país só aconteceu meses depois, em junho de 2020. Não se sabe exatamente como ela contraiu a doença. O que se sabe é que a COVID-19 atingiu de forma fatal vários membros de sua família após seu falecimento: sua mãe, seu irmão e sua irmã. 

O contexto de pandemia nos afetou profundamente. É verdade que estávamos protegidos e protegidas. Adalgisa, em Brasília, trabalhando em ONU Mulheres, e cuidando do pequeno Inácio, seu filho que nasceu um pouco antes desse contexto; Guilherme, em São Paulo, trabalhando no Banco Itaú; Marcia, também em Brasília, dirigindo sua Escola de Kung Fu e trabalhando como consultora de ONU Mulheres. Amigos de longa data, conversávamos e refletíamos sobre como a pandemia trouxe para o centro da agenda de discussão pública uma série de temas anteriormente presentes em nossa sociedade, mas que ganharam urgência nesse contexto de crise sanitária.

Em meio a essas reflexões, o tema dos cuidados emergiu. As medidas tomadas para garantir a segurança sanitária da população impuseram novas formas de organização do trabalho e das atividades de cuidado, revelando antigas tensões. Ficou evidente a persistência em nossa sociedade de um modelo de distribuição de responsabilidades pelos cuidados segundo o qual as mulheres são as responsáveis exclusivas ou principais por essas atividades. A divisão de responsabilidades continua desequilibrada. Tema já conhecido e debatido, mas cujos impactos se tornaram ainda mais profundos no contexto atual. Os efeitos surgiram rapidamente. Neste momento, nos deparamos com uma saída massiva das mulheres do mercado de trabalho, com o aumento do desemprego e da pobreza. 

E essa é apenas a ponta do iceberg.

A ausência de um maior equilíbrio na distribuição de responsabilidades pelos cuidados – um equilíbrio que não deve ocorrer apenas dentro das famílias, mas que necessita envolver o Estado e o mercado por meio da elaboração de políticas públicas e oferta de serviços – tem forte impacto sobre nossa organização social, aprofundando desigualdades e estabelecendo uma lógica injusta de exploração. Além disso, impacta a trajetória de desenvolvimento do país, ocasionando um enorme desperdício de força de trabalho.

Diante dessa realidade, a decisão. Precisamos falar sobre cuidados. Precisamos criar um espaço de construção de conhecimento sobre esse tema, e de oferta de metodologias que apoiem a transformação dessa lógica, em direção a uma realidade mais justa, solidária e inclusiva. A partir dessas ideias compartilhadas, e da vontade que sempre esteve presente em nós de trabalharmos e construirmos um projeto conjunto, nasceu a Cuidemos – Consultoria e Treinamentos.

Nada mais simbólico do que o contexto no qual nasce essa empresa. Nesse cenário que demanda tantas medidas de cuidado, fazemos o convite. Vamos falar sobre cuidados? Vem com a gente! Cuidemos!

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